terça-feira, 25 de abril de 2017

Al Pacino - Filmografia Comentada - Parte 3

Hoje em dia "Scarface" de Brian De Palma é considerado um filme cult, porém na época de seu lançamento houve inúmeras críticas. O termo mais usado para definir essa fita foi "exagerada". Havia excessos por todas as partes, da violência, dos palavrões, da quantidade de cocaína, dos tiros e o mais surpreendente de tudo, da atuação de Al Pacino. Ele foi criticado por ter exagerado na dose. A atuação do ator foi dita como puro overacting! Essa era uma resposta nova em termos de Al Pacino, logo ele que sempre foi tão elogiado pela crítica. Alguma coisa havia saído dos trilhos.

Em termos de bilheteria o filme não foi um fracasso comercial como muitos disseram. Ao custo de 25 milhões de dólares a fita fez 44 milhões apenas no mercado americano. Se não era um hit ou um sucesso, pelo menos cobriu seus custos de produção, deixando um bom lucro para os estúdios Universal.

O interessante é que Pacino não ficou insatisfeito com sua atuação de uma forma em geral, mas sim pelo fato de ter interpretado outro mafioso. Ele não queria se repetir ano após ano, tentando recuperar o que havia sido deixado para trás nos filmes da franquia "O Poderoso Chefão". Para Pacino o importante era variar mais em seus personagens no cinema. Repetir-se não era um dos seus objetivos, mesmo que isso significasse excelentes cachês ou boas bilheterias de cinema. Para Pacino o desafio sempre falaria mais alto.

Assim ele resolveu dar mais um tempo. Ficou dois anos fora das telas. Voltou aos palcos, ao teatro em Nova Iorque. Havia uma certa mágoa por parte do ator das críticas que lhe foram feitas. Em 1985 ele decidiu retornar após fazer uma escolha bem ruim. Pacino decidiu que iria estrelar o novo filme de  Hugh Hudson chamado "Revolução". Era um drama épico, histórico, sobre os revolucionários americanos que lutaram pela independência de seu país no século XVII. O filme não foi uma produção tão cara como foi dito na época (custou em torno de 28 milhões de dólares), mas as bilheterias foram pífias. O público não se interessou em nada pelo filme. No primeiro fim de semana o filme só conseguiu arrecadar 50 mil dólares. Em poucos dias todos os jornais americanos estampavam que o novo filme de Al Pacino havia se tornado um dos maiores fracassos de bilheteria da história. Um fracasso monumental.

Pablo Aluísio.

sábado, 22 de abril de 2017

Sempre Amigos

Título no Brasil: Sempre Amigos
Título Original: The Mighty
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Miramax
Direção: Peter Chelsom
Roteiro: Charles Leavitt
Elenco: Sharon Stone, Kieran Culkin, Gena Rowlands, Elden Henson, John Bourgeois, Rudy Webb
  
Sinopse:
Um garoto gordinho e solitário, que sempre foi vítima de bullying, acaba encontrando a amizade verdadeira ao conhecer um menino que sofre de uma doença degenerativa. Juntos eles sonham e brincam como se estivessem na corte do lendário Rei Arthur. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz - Drama (Sharon Stone). Também indicado na categoria de Melhor Música ("The Mighty" de Sting e Trevor Jones).

Comentários:
Adaptação para o cinema da novela dramática escrita por Rodman Philbrick. Eis aqui um bonito drama produzido e bancado pela atriz Sharon Stone. Ela emprestou sua fama e seu prestígio dentro do cinema para divulgar esse drama bem humano, muito embora sua personagem tenha pequena participação dentro da trama. Curiosamente por esse pequeno papel Sharon acabou sendo indicada a vários prêmios por sua atuação, em especial o Globo de Ouro. Para uma atriz como ela, que sempre foi considerada apenas uma estrela de Hollywood que venceu na carreira por sua beleza foi uma mudança e tanto nos ares de sua filmografia. De qualquer forma os verdadeiros astros desse elenco são as crianças, o elenco juvenil e mirim. Eles roubam as atenções pois apesar de serem ainda bem jovens demonstram grande talento em cena. Um aspecto curioso é a presença e atuação de Kieran Culkin, membro menos conhecido da família Culkin, irmão mais jovem de Macaulay Culkin.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Noiva em Fuga

Título no Brasil: Noiva em Fuga
Título Original: Runaway Bride
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures, Touchstone Pictures
Direção: Garry Marshall
Roteiro: Josann McGibbon, Sara Parriott
Elenco: Julia Roberts, Richard Gere, Joan Cusack
  
Sinopse:
Não importa o quanto tente, Maggie Carpenter (Julia Roberts) simplesmente não consegue se casar. Nas três vezes que tentou, ela sempre decide ir embora, deixando seu noivo no altar. A história tão fora do comum chama a atenção do jornalista Ike Graham (Richard Gere) que vai para a cidade de Maggie para confirmar toda a história. O que ele não esperava era se sentir atraído pela "noiva em fuga"!.

Comentários:
Tentativa muito mal sucedida de repetir o sucesso de "Uma Linda Mulher". A intenção do estúdio foi óbvia, reunir novamente Julia Roberts e Richard Gere em uma nova comédia romântica. O problema é que o filme é muito fraco, pífio mesmo. Gere nunca pareceu tão sem interesse em cena. Na verdade ele próprio reconheceria depois que só fez o filme por causa do cachê indecente oferecido pela Paramount para que ele voltasse a atuar ao lado de Julia Roberts. Por quase dez anos ele foi recusando um roteiro atrás do outro para atuar ao lado de Roberts, até que em 1999 aceitou o convite. Deveria ter recusado. Há filmes que são tão sem sal, tão "Family-friendly" que se tornam ao final simplesmente insuportáveis. Esse é uma daquelas fitas descartáveis que são logo esquecidas, aqui merecidamente, já que o resultado é abaixo da crítica. Péssimo, perda de tempo e dinheiro. Melhor esquecer. Filme vencedor do Blockbuster Entertainment Awards na categoria Melhor Atriz (Joan Cusack).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Al Pacino - Filmografia Comentada - Parte 2

No começo da década de 1980 Al Pacino ficou praticamente dois anos sem lançar nenhum filme. Os convites chegavam até ele, mas o ator parecia mais interessado nos palcos do que nas telas. Durante esse período ele se dedicou ao teatro em Nova Iorque até que em 1982 o diretor Arthur Hiller lhe enviou um roteiro escrito por Israel Horovitz. Era uma história bem interessante sobre um autor de peças da Broadway que passava por uma grande tensão familiar e profissional decorrente da estreia de sua nova peça.

Pacino que estava tão submerso no meio teatral gostou muito do que leu. Assim aceitou o convite para atuar como o protagonista de "Author! Author!" que no Brasil recebeu o título de "Autor em Família". De certa maneira era um filme menor, com produção mais modesta, feito para um público mais específico, ligado ao mundo do teatro. Pacino assim voltava ao cinema de uma maneira mais sutil, mais artística. Colecionando boas críticas ele acabou sendo indicado ao Globo de Ouro na categoria Melhor Ator - Comédia ou Musical, pois os membros do prêmio entenderam que o filme tinha mais potencial de comédia de costumes do que drama, o que de certa maneira era uma visão bem absurda.

Apesar da boa repercussão por parte da crítica, as bilheterias foram consideradas mornas. Pacino já não parecia mais ser o grande astro dos tempos de "O Poderoso Chefão". Ao contrário disso investia cada vez mais em um tipo de cinema mais intimista, autoral. Correr riscos já não parecia muito fazer sua cabeça. Em Hollywood porém você não pode ser tão cult assim, pois os estúdios visam principalmente o sucesso comercial, uma vez que a roda comercial da indústria cinematográfica não pode parar de girar. É sempre necessário gerar receitas e mais receitas e o valor de um ator é medido não pela qualidade de seus filmes, mas sim pela capacidade de gerar boas bilheterias, acima de tudo.

Voltar ao sucesso era algo necessário para Pacino naqueles anos. Seu agente então lhe mostrou o roteiro do novo filme de Brian De Palma. Tudo parecia se encaixar muito bem. O roteiro era escrito pelo prestigiado Oliver Stone, um veterano da guerra do Vietnã, que havia se destacado por causa de seus textos viscerais. Para Pacino parecia ainda mais perfeito porque o protagonista era um gangster, tal como o que ele havia interpretado na saga "O Poderoso Chefão". Embora o novo projeto fosse um remake de "Scarface - A Vergonha de uma Nação" de 1932, tudo era repensado. A ação não se passaria mais nos anos 30, mas sim nos anos 80, em uma Miami cheia de traficantes e cocaína. "Scarface" assim foi escolhido por Al Pacino para ser seu retorno triunfal nas grandes bilheterias. Um filme feito para fazer muito sucesso comercial, mas será que daria realmente certo?

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Um Sinal de Esperança

Título no Brasil: Um Sinal de Esperança
Título Original: Jakob the Liar
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos, França, Hungria
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Peter Kassovitz
Roteiro: Peter Kassovitz
Elenco: Robin Williams, Alan Arkin, Hannah Taylor Gordon, Éva Igó, Kathleen Gati, Bob Balaban
  
Sinopse:
A história do filme se passa em 1944, na Polônia ocupada por nazistas. A guerra entra em sua fase final e um judeu chamado Jakob (Robin Williams) se torna uma importante fonte de informações para a comunidade judaica aprisionada em um gueto da cidade. Com a censura imposta pelos alemães, a única possibilidade de se saber o que estava acontecendo era um velho rádio usado por Jakob de forma clandestina.

Comentários:
Baseado na novela escrita por Jurek Becker, o filme se concentra em um personagem bem singular, um homem do povo, interpretado por Robin Williams. É de forma em geral um bom filme, valorizado pela sua boa história. Esses guetos que foram criados pelos nazistas, um deles retratado no filme, eram verdadeiras prisões provisórias. Os judeus eram confinados dentro de seus linhas e ficavam em condições sub humanas até o momento em que fossem transportados para campos de extermínio. O gueto mais famoso da história foi o gueto de Varsóvia, mas existiram muitos outros, por toda a Europa. Depois de meses - algumas vezes até anos - limitados a viverem nesses guetos sujos e sem comida, os judeus eram então levados de trem (transportados como gado), para os campos de concentração onde eram finalmente executados sumariamente. Esse é mais um drama pesado na carreira de Robin Williams. Há tentativas tímidas de se fazer um pouco de humor aqui ou acolá, mas como o tema do filme é sobre o holocausto isso é totalmente amenizado. Enfim, um bom filme histórico que merecia inclusive melhor reconhecimento por parte dos festivais de cinema pelo mundo afora, algo que não aconteceu, talvez por puro preconceito por ser uma fita estrelada por um astro do humor de Hollywood. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Corações Apaixonados

Título no Brasil: Corações Apaixonados
Título Original: Playing by Heart
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Miramax
Direção: Willard Carroll
Roteiro: Willard Carroll
Elenco: Sean Connery, Angelina Jolie, Madeleine Stowe, Gillian Anderson, Ellen Burstyn, Gena Rowlands, Ryan Phillippe, Anthony Edwards
  
Sinopse:
Onze pessoas vivendo e trabalhando em Los Angeles precisam lidar com os problemas profissionais e emocionais de suas vidas. Entre eles há Paul (Sean Connery), um produtor de TV, que precisa vencer suas dificuldades emocionais, enquanto tenta transformar um programa de culinária em sucesso de audiência. Joan (Jolie) é uma mulher apaixonada que tenta seduzir o jovem Keenan (Ryan Phillippe) sem muito sucesso. E por aí vai. O mote é sempre a tentativa de ser bem sucedido na vida de cada um, explorando como isso na realidade é bem complicado de se alcançar. Filme indicado ao Urso de Ouro do Berlin International Film Festival.

Comentários:
A intenção de Sean Connery ao aceitar o convite para esse filme era a de participar de uma pequena produção, mais artística, que tivesse um jeito mais de cinema independente, mais cult. O problema é que ao aceitar fazer o filme ele acabou atraindo a atenção de outros atores que queriam ter a oportunidade de trabalhar ao seu lado. É justamente aí que nasceu o maior problema dessa fita romântica. Com tantos atores e atrizes famosas no elenco o espaço para seus personagens tiveram que ser ampliados, criando mais um daqueles filmes com atores demais e roteiro de menos! É uma multidão de personagens, muitos deles sem a menor importância. Isso estraga a fita que se torna cansativa, com aqueles roteiros ao estilo mosaico, mostrando um monte de gente, fazendo um monte de coisas, que no fundo não significam nada! Enfim, ficou bem chato. O único que escapou do tédio foi o próprio Sean Connery. Dono de uma presença sempre marcante em cena, ele é uma das poucas razões que farão você acompanhar até o fim o desenrolar da história. Provavelmente se o filme não tivesse sua presença na tela, você provavelmente dormiria no sofá, de tão chatinha que é essa produção supostamente produzida para um público mais romântico. O filme como um todo pode até ser bem intencionado. O problema é que de boas intenções o inferno já está cheio. Melhor esquecer e ignorar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

A Filmografia de Kate Hudson - Parte 3

Já que Kate havia emplacado sucessos de bilheteria no gênero comédia romântica era até esperado que ela seguisse nesse mesmo filão por algum tempo, afinal Hollywood são negócios, acima de tudo. Assim em 2008 ela surgiu nas telas em mais uma comédia chamada "Amigos, Amigos, Mulheres à Parte". Aqui ela atuou ao lado de Dane Cook. Esse humorista sempre fez uma linha mais agressiva, com piadas sujas, etc. Na verdade ele surgiu nos palcos, contando esse tipo de humor politicamente incorreto. Ao lado de Kate as coisas foram mais suavizadas por um roteiro mais de acordo com o público dela, embora houvesse algumas baixarias, aqui e acolá. É um filme descartável, para assistir uma única vez, dar algumas risadinhas e jogar fora.

"Noivas em Guerra" é um pouquinho mais elegante, onde o diretor Gary Winick tentou soar mais sofisticado. Mesmo assim essa comédia romântica também não consegue se destacar muito. O grande atrativo vem da dobradinha entre Kate e a atriz Anne Hathaway. Ela interpreta uma amiga da personagem de Hudson que acaba criando uma rivalidade com ela. Assim ambas começam a disputar entre si por todas as coisas, inclusive sobre seus próprios casamentos, uma querendo ter o casamento melhor do que a outra - chegam ao absurdo de marcarem o casamento para o mesmo dia, apenas em nome da rivalidade. Fraquinho, bobinho, mas as duas atrizes pareceram se divertir bastante em cena.

Depois dessas duas produções como estrela e protagonista, Kate resolveu ficar um pouco mais sem segundo plano no drama musical "Nine". Nunca gostei muito dessa produção, mas inegavelmente fez bastante sucesso, principalmente de crítica, levando uma penca de indicações nos principais prêmios do cinema internacional, entre eles o Oscar e o Globo de Ouro. Nesse filme Kate Hudson é apenas uma coadjuvante de luxo para gente como Daniel Day-Lewis, Nicole Kidman, Penélope Cruz, Judi Dench e Sophia Loren. Seguramente é o seu filme com o elenco mais marcante e talentoso. Pena que ela mesma não tenha muito espaço no meio de tantos astros e estrelas.

Em 2010 Kate Hudson procurou por novos ares, novos desafios. Depois de "Nine" ela queria atuar em algo melhor. Comédias românticas estavam descartadas, pelo menos por um tempo. Assim ela embarcou no thriller policial de terror e suspense "O Assassino em Mim". A trama explora a figura de um serial killer (um assassino em série) atuando em uma cidade do Texas. Gosto desse filme, principalmente (mais uma vez) por causa de seu bom elenco que conta com, além de Kate, Casey Affleck (recentemente premiado com o Oscar) e Jessica Alba.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 4 de abril de 2017

A Vingança de Bette

Título no Brasil: A Vingança de Bette
Título Original: Cousin Bette
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Des McAnuff
Roteiro: Lynn Siefert
Elenco: Jessica Lange, Elisabeth Shue, Bob Hoskins, Hugh Laurie, Geraldine Chaplin, Kelly Macdonald
  
Sinopse:
Em Paris, no século XIX, vive Bette Fisher (Jessica Lange). Ela nunca se casou e por isso se tornou alvo de todos os tipos de preconceitos da sociedade da época. Quando a matriarca da família, madame Adeline Hulot (Geraldine Chaplin), falece, cabe a Bette cuidar de todos os demais familiares, mas ridicularizada e humilhada, ela começa a criar planos para arruinar todos aqueles que lhe fizeram mal. Para isso conta com a ajuda de Jenny Cadine (Elisabeth Shue), atriz e prostituta de Paris.

Comentários:
Excelente filme, inspirado no romance de época escrito por Honoré de Balzac. Esse celebrado escritor se notabilizou pelos textos que expunham a hipocrisia da alta sociedade parisiense de seu tempo. As chamadas grandes e tradicionais famílias sempre tinham algo de podre a esconder, revelando instintos mesquinhos, atitudes grotescas, tudo por baixo de uma imagem falsa, tentando passar algum tipo de nobreza humana. Esse filme fez jus ao texto de Balzac. Há um tom de humor negro em cada situação, justamente por expor essa mediocridade das pessoas. Além do excelente roteiro outra coisa chama a atenção nessa produção: seu ótimo elenco, formado basicamente por atrizes extremamente talentosas, com destaque para as duas protagonistas interpretadas respectivamente por Jessica Lange e Elisabeth Shue (em seu primeiro papel realmente importante e interessante na carreira). Até mesmo a grande dama da interpretação Geraldine Chaplin está presente, trazendo muita dignidade para sua personagem, a de uma mulher aristocrata e verdadeiramente digna. Infelizmente mesmo com tantas qualidades o filme acabou sendo ignorado pela Academia, em mais uma de suas grandes injustiças.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 31 de março de 2017

A Última Batalha de um Jogador

Título no Brasil: A Última Batalha de um Jogador
Título Original: Bang the Drum Slowly
Ano de Produção: 1973
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: John D. Hancock
Roteiro: Mark Harris
Elenco: Robert De Niro, Vincent Gardenia, Michael Moriarty, Phil Foster, Ann Wedgeworth, Heather MacRae
  
Sinopse:
Dois jogadores de beisebol, Henry Wiggen (Michael Moriarty) e Bruce Pearson (Robert De Niro), se tornam bem amigos enquanto jogam em uma equipe de Nova Iorque. Essa amizade é colocada à prova quando Henry é diagnosticado com uma doença grave, que muito provavelmente colocará fim em sua carreira e em seus sonhos. Bruce acaba se tornando assim seu grande amigo nesse momento extremamente crucial em sua vida.

Comentários:
Filmes sobre esportes só se tornam importantes quando retratam dramas da vida real. Esse "Bang the Drum Slowly" é sem dúvida um dos bons dramas esportivos do cinema americano, colocando em primeiro plano a amizade entre dois jogadores quando um deles descobre que muito provavelmente não terá mais uma promissora carreira desportiva pela frente, isso porque está com uma doença grave. O protagonista do filme é o ator Michael Moriarty, mas obviamente hoje em dia quem mais chama a atenção nesse elenco é o ator Robert De Niro, na época ainda bem jovem e prestes a se tornar um dos mais celebrados atores dos anos 70. Atualmente a carreira de De Niro está em franca decadência (há muitos anos aliás), mas nas décadas de 70 e 80 ele viveu o auge de sua filmografia, com uma sucessão incrível de grandes clássicos, obras primas cinematográficas, em sua trajetória. Curiosamente nem Moriarty e nem De Niro foram lembrados pela Academia por suas respectivas atuações, mas sim o menos conhecido Vincent Gardenia, que acabou arrancando uma indicação ao Oscar por sua participação nesse filme. Coisas de Hollywood.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 28 de março de 2017

Alma de Poeta, Olhos de Sinatra

Título no Brasil: Alma de Poeta, Olhos de Sinatra
Título Original: Dream for an Insomniac
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia TriStar Pictures
Direção: Tiffanie DeBartolo
Roteiro: Tiffanie DeBartolo
Elenco: Jennifer Aniston, Ione Skye, Mackenzie Astin, Michael Landes, Seymour Cassel, Sean Blackman
  
Sinopse:
A vida da garçonete Frankie (Ione Skye) não é fácil. Ela é apaixonada pelo colega de trabalho David Shrader (Mackenzie Astin), mas esse já tem uma namorada. Mesmo assim Frankie não desiste dele e bola um plano para que ela finalmente o conquiste: mudar-se para Los Angeles, para que David a siga, deixando a antiga namorada de lado. Para dar certo Frankie conta com a ajuda da amiga Allison (Jennifer Aniston).

Comentários:
Esse filme é uma comédia romântica bem inofensiva, tipicamente uma produção TriStar Columbia dos anos 90. Por essa época o estúdio estava apostando em filmes com jeitão de cinema independente, com roteiros leves e divertidos, próprios para serem lançados no mercado de vídeo VHS. Também é mais uma tentativa da atriz Jennifer Aniston em colocar um pezinho em Hollywood. Quando o filme foi lançado a série "Friends" estava em sua segunda temporada, batendo recordes de audiência na TV americana. Aniston era considerada uma estrelinha promissora, mas curiosamente, embora seu nome esteja em destaque nesse filme, ela não quis se comprometer muito, preferindo atuar em segundo plano, interpretando uma personagem coadjuvante. Em suma é isso. O filme tem um pouquinho de drama pois a protagonista sofre de insônia e é infeliz em sua vida pessoal, mas nada que comprometa muito. A intenção foi realmente fazer um filme bem leve, soft, romântico e sem pretensões de ser algo maior do que realmente é. Hoje em dia, provavelmente, só vai interessar ao fã clube da atriz Jennifer Aniston mesmo e nada mais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 26 de março de 2017

A Razão do Meu Afeto

Título no Brasil: A Razão do Meu Afeto
Título Original: The Object of My Affection
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Nicholas Hytner
Roteiro: Wendy Wasserstein
Elenco: Jennifer Aniston, Paul Rudd, Nigel Hawthorne, Kali Rocha, Hayden Panettiere, Alan Alda, Tim Daly
  
Sinopse:
Nina Borowski (Jennifer Aniston) é uma assistente social que acaba se apaixonando por George Hanson (Paul Rudd). Há alguns problemas nessa paixão. O primeiro é que George pensa ser apenas um amigo dela, inclusive a ponto de morar junto ao seu lado. O outro é que George é gay! Comprometida com outro homem, Nina tenta superar seus sentimentos, mas conforme o tempo passa ela vai ficando cada vez mais apaixonada. Pior do que isso, ela fica grávida do namorado de quem não ama! Filme indicado ao London Critics Circle Film Awards na categoria Melhor Ator Coadjuvante (Nigel Hawthorne).

Comentários:
Esse filme é uma das primeiras tentativas de Jennifer Aniston em emplacar no cinema. Ela que vinha estrelando a série de sucesso "Friends" (um dos programas de maior audiência da TV americana), nem precisava de muito esforço para atrair público para seus filmes. "The Object of My Affection" é uma comédia romântica, com pequenas pitadas de drama, mostrando o amor que uma garota acaba sentindo por um homossexual. Amor impossível? Pode ser, só que o roteiro brinca com essa situação até o clímax, que vai surpreender muita gente. Paul Rudd volta para seu tipo habitual, a do "cara legal", papel que quase sempre repete em seus filmes, ano após ano. Até mesmo quando interpreta super-heróis, como aconteceu em "Homem-Formiga" ele não consegue se desligar desse tipo de personagem. Então é isso, um bom filme, até um pouco acima da média dos outros filmes estrelados por  Jennifer Aniston. Simpático e inofensivo vai agradar aos fãs da atriz.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 24 de março de 2017

O Terceiro Milagre

Título no Brasil: O Terceiro Milagre
Título Original: The Third Miracle
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: American Zoetrope, Franchise Pictures
Direção: Agnieszka Holland
Roteiro: John Romano
Elenco: Ed Harris, Anne Heche, Armin Mueller-Stahl, Charles Haid, Sofia Polanska, Pavol Simon
  
Sinopse:
Baseado no romance escrito por Richard Vetere, o filme "O Terceiro Milagre" conta a história do padre Frank Shore (Ed Harris). Após o surgimento de uma crença popular na santidade de uma mulher, moradora de um pequeno vilarejo, o Vaticano resolve enviar um de seus padres para investigar o que de fato estaria acontecendo por lá. Shore é que quem deverá prosseguir nas investigações para descobrir a verdade. Filme indicado ao prêmio do Mar del Plata Film Festival na categoria de Melhor Filme.

Comentários:
O roteiro desse filme é ótimo. Ele conta a crise de fé que se abate sobre um padre após ele ser enviado para um lugarejo onde pessoas estão acreditando em milagres. Os fenômenos sobrenaturais estão surgindo em torno de uma imagem de Nossa Senhora que chora lágrimas de sangue. As pessoas da região começam a peregrinar até lá e não tardam a surgir curas de doenças graves. Pela medicina todas elas seriam incuráveis e não haveria como explicar o que estaria acontecendo apenas pela ciência. O personagem de Ed Harris tem crises de fé, o que agrava ainda mais a situação. Eu sempre que posso elogio Ed Harris. Em minha opinião ele sempre foi um dos mais completos atores de sua geração. Sua postura de homem comum, mas íntegro, conta muitos pontos a favor. A cineasta Tcheca Agnieszka Holland também criou uma de suas melhores obras cinematográficas, onde tudo é feito com sutileza, sofisticação e acima de tudo respeito para com a fé católica. Um bom filme, produzido pelo mestre Francis Ford Coppola, especialmente recomendado aos interessados em seu tema religioso.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 21 de março de 2017

Vatel - Um Banquete para o Rei

Título no Brasil: Vatel - Um Banquete para o Rei
Título Original: Vatel
Ano de Produção: 2000
País: França, Inglaterra, Bélgica
Estúdio: Miramax Films
Direção: Roland Joffé
Roteiro: Jeanne Labrune, Tom Stoppard
Elenco: Gérard Depardieu, Uma Thurman, Tim Roth, Julian Sands, Julian Glover, Richard Griffiths
  
Sinopse:
Em 1671 o Rei da França Louis XIV (Julian Sands) decide passar três dias na propriedade de um conde francês, que no passado foi seu inimigo, mas que agora poderá se tornar um aliado importante em uma nova guerra que o monarca francês pretende se envolver. Para que a visita seja um sucesso, onde tudo dê certo, o conde contrata os serviços do mestre de cerimônias François Vatel (Gérard Depardieu). Caberá a ele administrar todos os eventos da visita real ao Château de Chantilly. Filme indicado ao Oscar na categoria Melhor Direção de Arte (Jean Rabasse e Françoise Benoît-Fresco). Vencedor do César Awards na categoria de Melhor Design de Produção (Jean Rabasse).

Comentários:
Outro filme que gira em torno da figura de Louis XIV, o "Rei Sol". A diferença básica de seu roteiro é que tudo se concentra não na figura real, mas sim no trabalho minucioso e exaustivo de François Vatel (Gérard Depardieu), o empregado do conde anfitrião, que precisará tomar todos os cuidados para que tudo saia conforme o planejado na visita do rei nas terras de seu patrão. E isso não é algo fácil. Ele precisará lidar com uma corte inteira (que sempre seguia os passos do rei). Pessoas mimadas, muitas vezes indisciplinadas e arrogantes, que exigiam o melhor em termos de serviços, sem facilitar o trabalho de ninguém em troca. O próprio Louis XIV é um exemplo disso. Embora viajasse com a sua Rainha, ele tinha várias cortesãs, mulheres que frequentavam sua cama, em casos escandalosos e notórios. Uma delas seria a dama de companhia Anne de Montausier (Uma Thurman), que cai nas graças do monarca justamente em sua visita ao conde. E por mais incrível que isso possa parecer, embora se torne cortesã real, ela nutre simpatias mesmo por Vatel, o homem comum, trabalhador e esforçado. Ter que lidar com a nobreza da corte se mostra assim seu trabalho mais árduo. Para se ter uma ideia de como era até mesmo perigoso lidar com a nobreza, em determinado momento do filme o irmão do rei se engraça por um menino protegido por Vatel. Embora o roteiro não deixe tudo muito claro, fica-se subentendido que o irmão de Louis seria pedófilo e estaria tentando abusar da criança. Agora imaginem a situação complicada para Vatel, ter que salvar a pele do garoto sem criar um problema com o membro da família real (o que em tempos de absolutismo poderia lhe custar a própria vida). Em termos de elenco não há o que reclamar, pois todos os atores estão excepcionalmente bem em cena. Entre os destaques poderia lembrar da excelente presença de Tim Roth como o maquiavélico Marquês de Lauzun e, é claro, como não poderia deixar de ser, a sempre marcante presença de Gérard Depardieu. Ele sempre fez valer qualquer tipo de papel que representasse. Esse filme não é exceção. É um desses atores ímpares na história do cinema. Simplesmente genial.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Versalhes, o Sonho de um Rei

Título no Brasil: Versalhes, o Sonho de um Rei
Título Original: Versailles, Le Rêve d'un Roi
Ano de Produção: 2008
País: França
Estúdio: Les Films d'Ici, France 2 (FR2)
Direção: Thierry Binisti
Roteiro: Jacques Dubuisson, Michel Fessler
Elenco: Samuel Theis, Vinciane Millereau, Jérôme Pouly, Antoine Coesens, Nicolas Jouhet, Germain Wagner
  
Sinopse:
Após a morte de seu pai, o Rei, sobe ao trono da França um jovem monarca, Louis XIV (Samuel Theis). Dono de uma personalidade megalomaníaca, o novo Rei decide construir o maior palácio real de toda a Europa, uma construção magnífica, com todo o luxo e a pompa dignas de sua majestade imperial. Para concretizar seus sonhos de construir o monumental Palácio de Versalhes, Louis XIV leva décadas, exaurindo os cofres e as finanças de toda uma nação. Para o Rei porém isso tudo pouco importa, pois ele está decidido a transformar seu exuberante projeto em realidade. Filme histórico baseado em fatos reais.

Comentários:
Excelente produção francesa que teve o privilégio de ser filmada no próprio Chateau de Versailles, o Palácio real que até hoje impressiona os visitantes que o conhecem. A história do filme é por demais interessante e mostra a obsessão que o Rei Louis XIV (Samuel Theis) criou em concretizar seus sonhos de construir algo jamais visto em toda a Europa. Conhecido como o "Rei Sol", Louis XIV  não era um homem de moderação. Tudo, absolutamente tudo, deveria ser o mais luxuoso possível, o mais brilhante, o mais magnífico. Obcecado por roupas luxuosas e palácios de sonhos, o Rei ignorou os conselhos de seus ministros para erguer no meio de um velho pântano uma das construções mais impressionantes da história. Versalhes até então não passava de uma rústica casa de campo construída por seu pai, que gostava de fazer caçadas pelas matas daquela região. Tomado por um sentimento de nostalgia, o novo Rei decide então erguer esse Palácio no mesmo lugar onde havia passado bons momentos em sua infância. Começa assim a construção de uma obra que levaria 40 anos para ser concluída. Não se contentando em levantar do chão esse tipo de construção típica das grandes monarquias do passado, Louis XIV foi além, mandando tragar as regiões pantanosas das vizinhanças, para transformar tudo ao redor em majestosos jardins, os maiores que se tinham notícia até então. Haveria muito o que explorar na história desse Rei, porém o roteiro se concentra mesmo na obsessão de Louis XIV em construir seu Palácio de Versalhes, o que não deixa de ser algo positivo, pois o espectador acaba conhecendo em detalhes a curiosa história em torno de sua construção. Os sonhos de um Rei absolutista que não aceitava respeitar limites aos seus mais loucos projetos. Autor da frase "O Estado Sou Eu", não é de se admirar que tenha ido tão longe em seus sonhos de grandeza. Um filme especialmente recomendado para quem gosta da história das monarquias europeias.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 14 de março de 2017

Mens@gem Para Você

Título no Brasil: Mens@gem Para Você
Título Original: You've Got Mail
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Nora Ephron
Roteiro: Nora Ephron
Elenco: Tom Hanks, Meg Ryan, Greg Kinnear, Steve Zahn, Heather Burns, Dave Chappelle
  
Sinopse:
Remake moderno do clássico "A Pequena Loja da Rua Principal" (1940), estrelado por James Stewart. Na estória uma jovem garota, Kathleen Kelly (Meg Ryan), tenta manter seu pequeno negócio em pé, uma livraria, enquanto a concorrência se torna cada vez mais feroz, com a chegada das grandes lojas de departamentos. Se as coisas não vão muito bem na vida profissional, na vida amorosa ela acaba se apaixonando por um sujeito que conhece pela internet, sem saber que no mundo real ele é um dos seus principais concorrentes de mercado. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz - Comédia ou Musical (Meg Ryan).

Comentários:
Na época em que foi lançado pela primeira vez, lá nos anos 90, parecia ser bem mais interessante. O mundo ainda parecia bem surpreendido com as inovações tecnológicas, com a possibilidade, por exemplo, de mandar um Email para alguém. É preciso compreender que antes do advento da Internet você tinha que mandar uma carta escrita, de papel, para a pessoa que desejava se comunicar. Isso levava dias, até semanas, para que a carta chegasse ao seu destino. Com o Email tudo se tornava instantâneo, de fácil comunicação, dai o nome "informática" (informação automática). Pois bem, nos anos 90, todo mundo ainda estava impactado por esse tipo de tecnologia. Assim surgiu esse romance onde os dois protagonistas trocavam mensagens românticas pela internet. Nada muito profundo, nada muito marcante, mas que certamente ainda funcionava muito bem, mesclando o bom e velho romantismo com a nova forma de se comunicar. O filme é um remake de uma fita romântica antiga da década de 40 e talvez por isso mantenha uma certa dose de inocência em seu roteiro. Tom Hanks e Meg Ryan se deram muito bem nesse tipo de filme, reprisando de certa maneira as duplas românticas de Hollywood (como por exemplo Rock Hudson e Doris Day). Foi a terceira vez que trabalharam juntos. Foi uma fase transitória para Hanks que deixava de lado sua imagem de comediante em filmes de pura galhofa como "A Última Festa de Solteiro" para abraçar outros gêneros cinematográficos. Já para Meg Ryan foi seu auge no papel de "nova namoradinha da América". A década de 90 foi seguramente sua fase de maior sucesso onde ela realmente colecionou um sucesso atrás do outro. Além disso era naturalmente linda. Pena que depois entrou na paranoia do botox e praticamente destruiu sua beleza. De qualquer forma, pelo menos, ainda sobraram esses filmes, onde toda a sua graça se mantinha intacta. Enfim, fica a dica de mais esse filme romântico. Ficou um pouco datado, mas ainda funciona como produto nostálgico do surgimento da internet.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.